Ando assim tão murcha e vazia, feito a flor que morreu nos campos secos da alma. Cuida que me desculpo ao meu poeta do trem e meu cavaleiro galante.
Pois faz tanto tempo que o termo não parece-me mais tão gasto. Há muito que o encanto se foi desta terra e a manhã nunca despontou no céu cinzento.
Sobrou-me este pentagrama sobre o colo, que faz de mim as três faces da deusa e mata minha sede do divino. O êxtase da paixão desesperadora passou com a tempestade, apagou as velas do meu paço e a luz dos meus olhos.
De todas as metáforas que talvez um dia alcançassem-me, eis aqui a pior e mais amarga. Os olhos de azeitona decorados de dourado ofuscaram-se à mim e tornaram-se opacos.
Querido, espero que não tropeces
em teus próprios pés
pois do seu pisante roxo,
retirou o cadarço!
O olhar eu disfarço,
porém tua cores
correm ao meu encontro
por estes corredores
Se me visses passar
Com seus olhos de mel
e a mente no céu,
brisado como és.
Já chamaram-te de afeminado,
o que posso eu fazer
se és tu um alienado?
(…)
E a cada dia que enterrar-me com essa tua hipocrisia maldita, espero que os mortos célebres de batalhas perdidas levantem-se para quebrar-te o crânio.
E sufoca-me com tuas promessas quebradas e as mentiras contadas, e o teu véu de esquecimento. E mata-me todos os dias de algum jeito e meu peito abre-se em frenesi. Saiba que também quero-te debaixo da terra.
O atual estado das ações corriqueiras irrita-me como nunca antes, e espero ansiosa o dia em que virá atirar em mim de forma direta.
Eis que morrer tornou-se prazeroso!